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sexta-feira, 19 de abril de 2013

De Pernas Para o Ar - O filme


(Texto escrito originalmente em 27/06/11)

Uma comédia que mostra as inseguranças, os dissabores, as descobertas e outras tantas questões que envolvem o mundo das mulheres modernas. 


O foco da película está no valor que algumas mulheres dão ao lado profissional, em detrimento de sua vida social e pessoal.

E é exatamente neste ponto que a produção cumpre bem sua função, pois deixa evidente, entre as tantas dúvidas da protagonista Alice (vivida pela atriz Ingrid Guimarães) que não basta tentar ser perfeita no mundo corporativo, enquanto sua vida fora do trabalho está abandonada, seu filho te vê quase como uma estranha e seu casamento está a beira da falência devido a falta de diálogo, companheirismo e é claro, sexo.

Por outro lado, as situações engraçadas do filme passam bem aquém do que se espera, pois os diálogos um tanto clichês, os tombos milimetricamente trabalhados, o excesso de piadas com brinquedos sexuais e um certo exagero nas caras e bocas, o tornam um tanto previsível e fraco em termos de humor.

A sensação que ficou foi a de que algo faltou, que as atuações poderiam ter sido um pouco menos afetadas e mais eficientes no fazer rir.

Típicas comédias americanas talvez não sejam o forte do nosso cinema nacional. 

Quem sabe o humor inteligente e sagaz - como no filme Divã - seja mais o nosso tom de comédia?

O preço da sedução


(Texto escrito originalmente em 05/03/11)

Bruna Surfistinha é daqueles filmes em que vc vai assistir desacreditando da qualidade e sai pensando em quanto o pré-conceito foi descabido e o filme surpreendente.

A interpretação de Deborah Secco me transmitiu inicialmente, aquele olhar amedrontado e curioso de menina da Raquel, depois a mudança para o ar desafiador de quem sabe o que quer, passando pela inércia do fundo do poço nas drogas e o brilho da esperança e coragem do recomeço.

Gostei muito do que vi! Uma história densa, intrigante, intensa, que seduz, faz pensar e questionar as escolhas de cada pessoa e o preço que se paga pelas situações que vivemos, pelas situações em que nos colocamos e quais as perdas e ganhos do que a gente se dispõe a fazer para mudar e "ser" livre.

O filme me chocou em alguns momentos, mas na maioria do tempo percebi o quanto há de força, inteligência e personalidade naquela mulher.
O quanto a vontade de SER a faz determinada em transformar suas inseguranças em garra e acreditar que consegue. Mesmo nos momentos mais dolorosos, como quando arrasada pelas drogas vê sua vida ruir, seu status despencar e mesmo assim decide continuar e reconstruir tudo para, mais uma vez, mudar de vida.

Não! Eu não faço apologia a trajetória de vida da Raquel, mas sim a capacidade dela em perceber que a gente sempre pode recomeçar.

Ahhh! Contém cenas fortes de sexo, mas que em nenhum momento constrangem por serem APENAS cenas de sexo, mas sim pela ideia de se imaginar na situação onde muitas coisas, dentre elas o dinheiro, se sobressaem aos desejos de Raquel, a pessoa.

RECOMENDO! O filme e o desprendimento de assistir sem preconceitos.

A robotização do proletariado simbolizando o Capitalismo.


(Texto escrito originalmente em 26/10/08)

Logo início do filme “Tempos Modernos”, visualizamos um grande número de pessoas andando num mesmo sentido e podemos observar a utilização da grande massa como meio maior de propagação do capitalismo, indicando que havendo uma robotização do modo como as pessoas enxergam os processos em que vivem se torna mais fácil à execução de estratégias sociais e econômicas, por parte da burguesia, gerando assim a alienação em que as sociedades modernas estão acostumadas a viver.

A alienação profissional a que o personagem de Chaplin é submetido nos revela o quanto somos cobrados pela unidade e produtividade, ao passo que a classe patronal, muitas vezes, se diverte enquanto observa se os resultados esperados estão sendo cumpridos e onde mais é possível “enxugar” para poder produzir e gerar mais e mais resultados, colocando seus interesses em primeiro plano, em detrimento do bem estar social.
Aliada a isso, a falsa idéia de liberdade e controle que temos sobre nossas escolhas, nos faz ter a impressão de igualdade entre todos, o que na verdade não passa de mera ilusão, visto que não podemos nos apropriar da riqueza que produzimos, nem de opinar sobre nossas condições de trabalho (vide horários, funções e formas de produção) e muito menos de obter os valores de uso à que tanto lutamos para obter.

A questão central do filme mostra-se justamente na idéia de que o proletariado é usado como se fosse parte de uma máquina, onde sequer tem o direito de pensar sobre o que está fazendo e para onde vai aquilo que produz, sendo que a exploração de sua força de trabalho lhe faz praticamente parte da máquina que opera, chegando mesmo a exaustão.
Toda essa automatização faz com que o homem perca a noção de vida real, colocando sua integridade física e psíquica em risco, enquanto o proprietário da indústria não lhe dá nem o direito ao descanso, considerando que isso causa prejuízos e é perda de tempo, inclusive tentando utilizar-se de tecnologias cada vez mais avançadas para manter seus funcionários ocupados, mesmo enquanto comem.

A produção em grande escala e a utilização da mão de obra se torna tão mecânica que o funcionário passa a produzir e repetir os processos de forma ininterrupta, causando um estresse mental a ponto de ser enviado a um sanatório.
Quando se recupera, ele tentar voltar ao antigo emprego e verifica que este não existe mais, sentindo-se perdido, ele vaga pelas ruas e em meio a uma manifestação acaba sendo confundido como líder grevista, o que foi prontamente classificado como um avilte à burguesia e prontamente rejeitado, e vai preso.

Essa forma brutal e compulsiva de não permitir que as pessoas tenham direito a escolhas ou que achem que tem, produz alguns dos efeitos que vemos todos os dias em mais e mais lugares... desemprego, fome, miséria e loucura.
Àqueles que se rebelam e tentam fugir dessa padronização, restam a marginalidade, a exclusão e/ou a mais completa solidão.